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O Presidente da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas, Paulo Pereira, participou num comentário aos resultados do estudo sobre a viabilidade do Ferry.

"Ferry baralha as contas"
O ‘Observatório’ da semana, foi dedicado ao recente Estudo Económico-Financeiro da Linha Ferry Madeira-Continente, cujas conclusões apontaram para a necessidade de financiamento público em qualquer dos cenários analisados.

Paulo Pereira, respondeu ao Diário de Notícias, que colocou as duas seguintes questões:

DN,questão 1. Face às conclusões do estudo, considera que este é um investimento que o Estado deve assumir para garantir uma alternativa ao transporte aéreo e reforçar a coesão territorial, ou trata-se de um encargo demasiado elevado para ser suportado de forma permanente pelos contribuintes?


PP,1- Por um grupo de indivíduos ter decidido escrever num papel, em ambiente pós-revolucionário, que uma determinada coisa é “um direito”, essa coisa não passa a ser só por isso possível na natureza. A primeira regra da economia é que há escassez no planeta terra (ou seja, não há tudo para todos) e a primeira regra da política é ignorar a primeira regra da economia. Novamente confirma-se que quando as pessoas pedem o impossível, só os mentirosos os conseguem satisfazer,,,


DN, questão 2. Além do custo das viagens, uma ligação marítima regular enfrenta desafios relacionados com a procura, a concorrência de outros meios de transporte e os custos de operação. Na sua opinião, quais são os maiores riscos para a sustentabilidade desta ligação a longo prazo?


PP,2- Apesar de haver quem defenda que temos de o ter “custe o que custar” e que “não querem saber dos custos para nada”, parece-me que a dimensão do custo do navio, dos combustíveis (e riscos regulatórios relativamente aos mesmos permitidos no futuro), da sua operação (pessoal, manutenção, seguros, etc.), sua substituição em avarias/manutenção pesada, etc., associados a uma procura limitada em dimensão e poder de compra de uma região pequena fisicamente com sinais de sobrecarga, são os óbices óbvios à viabilidade. A subsidiação de um negócio artificial como este terá certamente impacto negativo, de dimensões desconhecidas previamente, nos atuais operadores que entregam bens que o ferry não poderá entregar pela sua própria natureza. Serão esses também subsidiados depois? Ou vamos irremediavelmente perdê-los e ao que fornecem? Clássica situação de desejo de sol na eira e chuva no nabal…

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