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Dívida?! Bate-se na Madeira 
 
[Eu tentei não ser previsível e escapar ao tema, mas foi impossível.]
 
Uma pesquisa googliana com as palavras “buraco da madeira” devolve quase 4 milhões de resultados – e em 0,15 segundos, admirável mundo este! –, mas somente na página 2 encontrei umas dicas de bricolage sobre como consertar furos na parede. Portanto, nos dias que correm, “buraco da madeira” refere-se à dívida da Região Autónoma da Madeira (se o Google diz, quem somos nós para contrariar?). Fazendo, então, a busca por “dívida da Madeira”, encontram-se 7 milhões de resultados e 5 mil milhões de euros. É muito resultado! Principalmente, tendo em conta que “turismo na Madeira” só tem 700-mil-e-alguns (mas que, curiosamente, demoram mais a encontrar que os da dívida). Também são muitos euros, mas esse buraco, infelizmente, não se tapa com dicas de bricolage.
 
Procurando “dívida de Portugal”, surge um conjunto disperso de links, que começa por nos remeter para a definição de dívida externa da Wikipédia, onde ficamos a saber que Portugal está no 20º lugar do ranking. Há depois a referência a percentagens do PIB e, no fim da primeira página, encontramos finalmente o valor de 1 bilião (na sua acepção anglo-saxónica, ou seja, mil milhões) de euros… Num só leilão de títulos de curto prazo!
 
Continuando a navegação pelos mares já muito navegados do Google, ficamos a saber: 673,6 milhões para a Carris; 3,8 mil milhões para o Metro de Lisboa; 2250 mil para o Metro do Porto; 10 mil milhões para CP e Refer, em conjunto. Tudo em euros e de dívida. A que podíamos somar a da STCP, RTP, TAP e muitas outras siglas que têm vindo a somar prejuízos ao erário público; para além das que são conhecidas pelo seu nome todo: Parque Escolar, Estradas de Portugal e uma multiplicidade de municípios por esse país fora. País que, com tanto buraco, já parece um queijo suíço (infelizmente, a única semelhança que temos com a Suíça parece ser mesmo essa). 
 
Durante muito tempo, quando alguns economistas falavam do problema dos défices externo e orçamental – que são, para quem se lembra da identidade fundamental da Macroeconomia, gémeos – e da questão da dívida, a resposta era “bate-se na madeira”. Hoje, bate-se na Madeira. Mas a verdade é que a região é o espelho do país, só que rodeada de água por todos os lados (e daí talvez, o efeito espelhado seja maior). 
 
Por: Vera Gouveia Barros
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