Jorge Veiga França (ACIF) e Paulo Pereira (Orem Economistas) esperam que haja mais para as empresas.
O Governo Regional anunciou a semana passada a linha de crédito dum montante de 100 milhões de euros cujo objectivo é a manutenção dos postos de trabalho permanentes das empresas e evitar encerramentos e insolvências das mesmas. Ontem foi a apresentação pública. Os Economistas Paulo Pereira e Jorge Veiga França, analisaram a iniciativa.
Paulo Pereira diz que, pela informação já disponível, "é em geral uma boa medida". E acrescenta; "Tudo na vida está limitado ao que existe, e dinheiro não há muito. E haverá menos no futuro. Mas é uma forma do Estado devolver às empresas uma "partezinha" o que lhes tira mensalmente e desta maneira o GR ajudar as empresas. E é cumulativo com outras medidas."
Jorge Veiga França salienta a promessa de "fixação de juro totalmente bonificado, i.e. à taxa zero, entenda-se juro mais spread, o que revela também como medida muito positiva" e, ainda, "a disponibilidade de acesso não estar prevista antes de 21 de abril, o que é menos bom mas entendemos pelo facto de estar pendente das negociações em curso com a banca através da qual se disponibilizarão os apoios e daí, das condições termos de prazo e montantes por empresa, que venham a resultar da negociação com as instituições financeiras", reconhece.
Paulo Pereira também reconhece que "não há por hora, margem para muito mais e há que guardar "balas" para as duras batalhas que se avizinham nos próximos tempos. Mas atenção que é dívida bancária! E que na maioria das empresas obrigará a garantias pessoais dos sócios e a parte não reembolsável está dependente da evolução dos postos de trabalho, que dependerão da evolução da Economia e isso hoje é totalmente incerto como evoluirá o que acarreta risco para os empresários. Só vai ser dinheiro dado aqui a 18 meses se as coisas correrem bem. Senão é para devolver", adverte.
Jorge Veiga França não deixa de felicitar vivamente o GR pela iniciativa de lançamento desta linha de crédito – a INVEST RAM 2020, mas que “são manifestamente insuficientes para debelar esta crise do Covid-19”, nomeadamente o montante total, pelo que necessitará oportunamente de um reforço que se situará muito próximo dos 20% do nosso PIB. Por isso, se não se evitar essencialmente a destruição massiva das nossas empresas, não haverá manutenção de postos de trabalho por parte delas. Assim estarmos em crer que os fundos disponíveis não se concentrarão maioritariamente ou, apenas no apoio às empresas em dificuldades para fazer face aos custos que enfrentam durante todo o período e redução total ou parcial da atividade durante a crise e a sua retoma progressiva, mas cubra também outra natureza de custos que, em muitíssimos casos, grande parte das empresas não se prevê agora apoiar, lamenta.

Veja o artigo no DN090420