O presidente da delegação regional da Ordem dos Economistas sublinhou que uma cidade competitiva é aquela que resiste a não ceder aos interesses dos empresários favoritos em detrimento dos outros.

Paulo Pereira, lembrou, na sua intervenção no debate das ‘Jornadas Madeira 2019’, que qualquer subida de impostos ataca o núcleo das empresas e o rendimento das famílias. “Se há menos capital, há menos bens e serviços disponíveis, sendo que a qualidade de vida de todos nós também baixa”, atirou, considerando que, de uma forma geral, “preocupamo-nos em aumentar os rendimentos das pessoas”, mas “se lhe tirássemos menos, talvez seria melhor”.

Defendeu também que o poder local ajudará o crescimento económico se for reconhecido pela transparência, agilidade, proximidade, facilidade, rapidez e segurança com que empresa e famílias possam agir no seu dia a dia. 

O orador [o segundo da parte da tarde de ontem], dividiu a sua apresentação em duas partes: relembrou, de uma forma simples, o que é o crescimento económico e apresentou algumas ideias genéricas sobre como é que o poder local pode ajudar os seus cidadãos a terem uma vida com mais qualidade. 

No seu entender, é preciso que um país, uma região, uma freguesia, tenham contas saudáveis. Isso será uma garantia de que não haverá aumentos de impostos. 

“Tudo o que seja receitas menores do que as despesas, significa que vai surgir dívida. E há um dia em que a dívida tem de ser paga por muito que se diga que é gerível. E ela é paga pelo cidadão”, afirmou. Munido de algumas notícias recentes que, conforme reafirmou, podem não ser positivas para o atual executivo camarário do Funchal, Paulo Pereira fez questão de sublinhar que os dados recolhidos não pretendiam atingir uma autarquia em concreto, mas apresentar exemplos generalizados. 

Sublinhou a importância de se combater, constantemente, a tendência inevitável para o desejo de crescimento, distanciamento e burocratização e intromissão na vida dos cidadãos. 

Afirmou ser normal que as entidades queiram crescer. “O que não cresce morre. Uma amizade que não é alimentada tende a morrer. E poder que não cresce tende a morrer. Mas compete a cada um combater esta tendência que é frequente nas autarquias, as quais mantêm uma relação forte com os cidadãos”, disse.

Insistindo que as suas palavras não tinham destinatário concreto, o orador prosseguiu a sua intervenção referindo que a sociedade em geral tem tendência em criar relações comerciais com os empresários favoritos, “onde os mesmos têm sucesso não pelo que valem, mas sim pela rede de contactos que vão tendo”. 

Disse que esta é uma tentação natural “por sermos todos humanos”. Independentemente de pertencermos ao setor X ou ao setor Y. Este orador teve de se ausentar depois da sua intervenção, pelo que não houve oportunidade de responder a muitas das questões que os presentes na plateia tinham para lhe dirigir, sobretudo elementos ligados à atual vereação camarária do Funchal.

JM180719