Ordem dos Economistas na Madeira ‘avaliza’ a operação projectada pelo Governo.

Pese uma ou outra ressalva, no essencial o presidente da Ordem dos Economistas na Madeira ‘avaliza’ a operação que o Governo Regional pretende concretizar. Ao JM, Paulo Pereira constata que, “ao que me parece, o Governo tem imensas linhas de crédito, com várias entidades e vai-se renegociando. São várias linhas, com montes de comissões, com spread e condições diferentes. O que se pretende é apresentar a terceiros que queiram ficar com parte desta dívida em melhores condições”.

Será o valor [15,4ME] elevado? Paulo Pereira responde: “se é para poupar bem mais, já é melhor negócio do que só gastar. Quem tem dívida grande, tem normalmente que recorrer a restruturações de dívida. Quem não quiser ter este tipo de custos, então que tenha olho na dívida e que a continue a baixar e as populações que exijam sempre aos políticos que não se metam em dívidas, porque mais tarde todos nós vamos pagar”. E neste tipo de operações, o Governo terá que se socorrer de terceiros. Ou, pelas próprias palavras de Paulo Pereira, “se muitas vezes vai buscar médicos para fazer ‘outsourcing’ [otimizar recursos], para este trabalho, que é de colocação mundial, e de conhecer investidores ao nível mundial, fazer uma série de discussões, explicar o risco… neste trabalho, que é muito específico, não me choca minimamente que vá buscar os melhores”.

 E, de modo algum, este será um reconhecimento do Governo Regional da sua incapacidade para resolver este assunto, “pelo contrário”, exalta Paulo Pereira, “isto será sempre um passo para a frente para resolver um problema. Empresas grandes, com grandes diretores financeiros, quando querem fazer este tipo de operações, recorrem sempre a estas entidades externas. E não estão, com isto, a classificar de incompetente a sua gestão ou a chamar de incompetentes os seus diretores financeiros. Porque no nosso dia a dia, não é um tipo de operações que se faça e estas entidades fazem-no diariamente. 

“O mercado tem condições de juros muito agradáveis e está mais tomador de risco. Concordo que é uma boa altura para fazer este trabalho.” - Paulo Pereira

Paulo Pereira, deixa apenas uma ressalva: “a Ordem dos Economistas na Madeira recomendaria que fosse aberto a outras casas de investimento e propiciar uma maior colocação internacional para garantir o maior nível de contactos no mundo todo, Índia, China, Estados Unidos, Brasil… onde quer que haja investidores que queiram ficar com a nossa dívida, se calhar o máximo de casas a participar, era mais indicado”. Mas, “atenção, que isto é muito dinheiro para nós, mas a Madeira é muito pequena no mundo. Se calhar, casas grandes poderiam nem olhar para isto. O J.P. Morgan [que será uma das empresas possíveis] se cotar isto, já é muito bom para a Madeira”, finaliza.

Artigo JM 290818