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Índice de satisfação do destino Madeira
 
Algumas notas relativas ao inquérito à satisfação dos turistas 
 
Uma apreciação muito positiva por parte de um dado turista sobre a satisfação percecionada relativamente à sua enésima (n) experiência de férias, constitui obviamente um dos fatores chave no processo de seleção do próximo destino (n+1), que poderá eventualmente implicar um retorno ao mesmo destino, e no teor das recomendações que oferecerá a familiares e amigos. A multiplicação da oferta (em termos de nichos de mercado, latitudes e destinos em geral) impõe limites à capacidade de deslumbrar o turista, em especial no que concerne aos destinos maduros e clássicos no contexto da macrorregião Europa, exigindo por parte do operadores e dos decisores uma vigilância apertada dos níveis declarados de satisfação e uma microgestão dos incidentes críticos. Nesse sentido a monitorização dos índices de satisfação constitui uma preocupação sentida pela generalidade dos destinos, competindo em geral aos organismos gestores do destino e/ou institutos universitários um papel chave neste tópico.
 
No âmbito das funções definidas para o Observatório do Turismo julgou-se pertinente contribuir para a difusão de informação relevante sobre os índices de satisfação através da produção de um indicador. De acordo com o Regulamento do Observatório de Turismo, o mesmo “terá como missão observar/monitorizar o fenómeno turístico na RAM, comprometendo-se a disponibilizar informação relevante e material técnico-científico sobre o fenómeno em observação, em conformidade com os objetivos genéricos do projeto, …, e numa linha de orientação que se pautará pelo rigor, objetividade, e imparcialidade científica”. 
 
Os resultados resultam de uma amostra de 341 indivíduos, o que permite desde já obter alguns indícios e linhas de tendência relativamente às questões inquiridas. Contudo, a exemplo do modelo desenvolvido por outros organismos, a ponderação dos fatos deverá resultar da análise final, tendo em conta os resultados várias fases previstas para a recolha dos dados. De qualquer forma julga-se que os resultados oferecem desde já motivos de interesse. 
 
Por exemplo, os dados apontam para o fato de a maioria dos visitantes julgar que a sua experiência de férias correspondeu às expectativas (média computada numa escala de 1 a 10 a rondar os 7.6); os inquiridos consideram que o destino Madeira em termos de grau de qualidade do serviço providenciado poder ser classificado como bastante satisfatório (média de 7.7) e que o mesmo se aproxima e ideal em termos de férias (7.3). Relativamente a aspetos que deveriam ser melhorados para proporcionar uma melhor experiência de férias, os itens melhores preços, praias e condições climatéricas surgem em primeiro lugar. Os pontos de interesse turístico mais visitados são o Mercado dos Lavradores, o Jardim Botânico e a Sé Catedral. Os dados permitem concluir que os inquiridos beneficiam de um capital de experiência muito alargado, no contexto do Mediterrâneo/Atlântico, tendo já visitado destinos como as Canárias, a Grécia, Portugal Continental e as Baleares. 
 
Em termos dos fatores motivacionais na escolha do destino, os resultados constantes da tabela seguinte sugerem que os fatores paisagem, natureza e clima, no que potenciam de relaxamento continuam a fornecer o grosso da motivação. A seriação dos fatores listados no questionário evidencia o potencial de atração clássico das ilhas (natureza, fuga da rotina, proximidade do mar, hospitalidade). Contudo a relativa importância atribuída a fatores que relevam a componente cultura, experimentação e aprendizagem indiciam uma mudança de tom na lógica a seleção do destino. 
 
 
Os dados relativos à probabilidade de retorno e de recomendação do destino a familiares e amigos indiciam um grau de satisfação elevado. Deverá no entanto ser tido em conta, e análise em pormenor, no decorrer das outras fases de recolha, a sensibilidade ao preço: 44% dos inquiridos declarou-se tentado a optar pelo destino considerado como alternativa à Madeira no processo de seleção, perante uma descida de preços em torno dos 20%.
 
Procurou-se oferecer nestas linhas alguns dados que resultam do referido inquérito. A linha de tendência geral sugere pontos de similaridade com os estudos patrocinados pela Direção Regional de Turismo da Madeira. 
 
Mais resultados e análises serão providenciados em textos futuros. Fica no entanto a observação que as profundas alterações que se produzem no perfil do turista demandam uma atitude pró-ativa na pesquiza de informação de forma a identificar o que se designa por “weak signals”. Refere Butler (2000) que o sector do turismo no contexto insular exibe em simultâneo inércia e estabilidade, dado que a maioria dos turistas ainda prefere as regiões marítimas e costeiras. O problema reside na identificação e reação às alterações dramáticas dos fluxos de procura e das condições da oferta. 
 
Butler, R (2000). Issues and implications of tourism development in Maritime Regions, Perspectivas de Desenvolvimento para as Regiões Marítimas, Actas do VII Encontro Nacional da APDR, 15-28
 
Por: Professor António Almeida
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